2As possibilidades do engravidamento na adolescência: considerações sobre a construção da sexualidade feminina em contextos de periferia author indexsubject indexsearch form
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Simpósio Internacional do Adolescente



Abstract

MAIA, Maria Vitória Campos Mamede. "Polícia, quem precisa de polícia?": o fracasso do pacto social. In Proceedings of the 1th Simpósio Internacional do Adolescente, 2005, São Paulo (SP) [online]. 2005 [cited 19 January 2022]. Available from: <http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=MSC0000000082005000200043&lng=en&nrm=iso> .

O presente artigo possui como cerne de discussão a questão formulada por Pellegrino: a quebra do pacto social acarreta a quebra do pacto edípico. Seguindo o olhar e entendimento winnicottiano sobre a questão da tendência anti-social e sobre a delinqüência, defendemos que o que o jovem anti- social busca com seus atos é a lei subordinada ao amor, mas que o amor buscado (quando ainda é buscado) é o amor materno, amor fundante, que se perdeu em algum lugar do seu passado. Afirmamos que o temor à lei, somente enquanto temor, leva-nos aos becos sombrios da violência, porque não há um outro propósito no ato cometido para além do infligir dor, coagir pelo medo: perdeu-se a busca do amor primitivo; perdeu-se a esperança do gesto anti-social ser acolhido e significado pelo ambiente. Mas, juntamente à perda do amor, o que o anti-social, o infrator e o delinqüente buscam é também a coesão social perdida. Porém, se nesse intercâmbio o que se instaura é uma via de mão única, na qual o sujeito perde ao ser desrespeitado e aviltado em seus direitos sociais, o que pode ocorrer é o rompimento desse pacto, implicando essa ruptura em gravíssimas conseqüências. A partir desse entendimento de fratura social, analisamos, ao longo do artigo, como se encontra a sociedade brasileira e qual o lugar que ocupa o jovem anti-social dentro da mesma. Partindo do referencial winnicottiano de tendência anti-social, postulamos que a subjetivação do jovem no Brasil está comprometida e falhada no sentido de que temos um adultescimento da infância e um adolescimento dos pais, não sobrando ao jovem nem reais papéis identificatórios seja para serem transgredidos ( a que lugar voltar se o lugar não foi instituído nem fora nem dentro do próprio sujeito? ) seja para serem internalizados. Falha nesse caso a fortaleza do lar enquanto local de limite, segurança, fidedignidade e confiança, fatores esses que instituem a simbolização no ato humano: sem a constituição deste, o que sobra é o ato para cobrir hiatos que hoje existem com maior freqüência entre o que o jovem espera da sociedade e o que a sociedade a ele oferece e a ele cobra. Afirmamos que o que falta a esses jovens anti-sociais, e provavelmente aos também não anti-sociais explícitos é o direito de possuírem um lugar na sociedade e o direito de serem cidadãos.

        · text in portuguese